sábado, 13 maio 2017 20:12

Descobrindo Peniche e as suas histórias

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O terceiro dia chegou em força com o início das atividades em Peniche. Num dia dedicado à história e cultura do mar nesta região houve ainda tempo ao final do dia para uma conversa com surfistas. Logo pela manhã os jovens despediram-se da Escola Naval para rumar até Peniche, cidade que os acolherá nos restantes dias da Semana Tanto Mar. Chegados à Escola Superior do Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) do Politécnico de Leira, onde ficarão hospedados, dirigiram-se para o auditório para a sessão oficial de abertura. Rui Marques, CEO da Forum Estudante, abriu a sessão. "A Semana Tanto Mar é uma iniciativa de que a Forum se orgulha muito. São já 300 os jovens que passaram por Peniche e ficaram a conhecer o potencial enorme da ESTM e da importância do mar para Portugal." Depois do visionamento do vídeo da Semana Tanto Mar do ano passado, Rui Marques desejou a todos os participantes uma grande semana e deixou ainda a dica: "o mar constitui um recurso importante para Portugal e pode ser central no vosso futuro". O subdiretor da ESTM, Sérgio Leandro, também se dirigiu aos jovens afirmando que "está a ser um grande prazer planear estas atividades de que vocês vão poder usufruir". Agradeceu ainda aos patrocinadores uma vez que "para chegarmos a esta 6ª edição foi preciso um trabalho conjunto de várias entidades". "Todos temos ouvido que o mar tem potencial que precisa de ser explorado", concluiu Sérgio Leandro "mas isso só é possível se conseguirmos cativar jovens para concretizar esse objetivo". Já o Comandante do porto de Peniche, Pedro Silva, em representação da Marinha Portuguesa, deu os parabéns aos jovens que foram selecionados para "esta oportunidade única". "Espero que tenham tido um bom fim de semana na Escola Naval", continuou, "e que tenham aproveitado todas as atividades. Espero também que tenham ficado com o bichinho de vir a ter uma profissão ligada ao mar e - porque não? - na Marinha."

"Sejam bem-vindos a Peniche", abriu o presidente da Câmara Municipal de Peniche, António José Correia, que na sua participação contou aos presentes parte da história da génese da Semana Tanto Mar. O nome vem de um programa de uma rádio pirata que António José Correia fazia nos anos 80 com o nome "Tanto Mar, Tanta Riqueza" e que contava histórias relacionadas com o mar. O presidente terminou deixando aos jovens a mensagem: "sintam-se bem connosco e sejam muito felizes".

Já na Fortaleza de Peniche os jovens saíram pelas ruas num peddy-paper que lhes permitiu percorrer alguns dos pontos de interesse do centro histórico da antiga Vila de Peniche, tais como a praça Jacob Rodrigues Pereira, a Capitania, a Ribeira e a própria Fortaleza, bem como conhecer algumas tradições associadas a esta comunidade piscatória. Depois da Fortaleza foi tempo de conhecer outro dos ícones de Peniche, a renda de bilros. Criada em 1987, a Escola Municipal de Renda de Bilros, tem 50 senhoras que diariamente trabalham na renda, o principal objetivo é manter viva esta tradição que com o tempo deixou de ser comum. Para além dos trabalhos diários, a Escola acolhe também cerca de 70 crianças em campos de férias tentando passar a tradição à gerações mais novas.

Embora a tradição se mantenha na técnica, a Escola procura inovar nos materiais e na aplicação dos bilros, usando a renda em sapatos ou joias por exemplo. Depois do jantar, os jovens reuniram-se no auditório da ESTM para uma conversa com surfistas. Paulo Ferreira, presidente do Peniche Surfing Clube, abriu a conversa. "Somos um país de uma costa imensa mas não somos um país de marinheiros", lançou, acrescentando ainda que o trabalho desenvolvido pela organização da Semana Tanto Mar tem como objetivo que os participantes percebam a importância do mar e que possam utilizar estes recursos que Portugal tem.

José Miguel Nunes, vice-presidente do Peniche Surfing Clube, falou sobre a história do surfing desde os seus primórdios na Polinésia Francesa e Havaí - e dos campeonatos entre chefes de tribos em que se apostava a liberdade da tribo inteira - até ao surf de Malibu e ao um milhão de surfistas no mundo estimados em 2014. Paralelamente, José Miguel Nunes fez também uma breve cronologia da história do surf em Portugal. Guilherme Fonseca tem 18 anos e já foi campeão nacional de todas as categorias júnior em Portugal, começou pelo bodyboard, aos 7 anos, mas rapidamente passou para o surf. Aos 9 anos participou na sua primeira competição. "No início do ano estabeleço objectivos que sejam alcançáveis, estabeleço os campeonatos a que quero ir e giro o orçamento que tenho dos meus patrocinadores", esclarece Guilherme, explicando que é possível conjugar treinos intensos com o estudo através da organização. O surfista concluiu o ensino secundário e candidatou-se à universidade este ano, ao mesmo tempo está a apostar em torneios internacionais pois, como todos os surfistas, diz ele, o seu sonho é competir no campeonato mundial de surf. E assim terminou o terceiro dia da semana, deixando a expectativa para o dia de amanhã, repleto de surf e não só.

Lido 24 vezes Modificado em segunda, 30 abril 2018 17:00