
"Sejam bem-vindos a Peniche", abriu o presidente da Câmara Municipal de Peniche, António José Correia, que na sua participação contou aos presentes parte da história da génese da Semana Tanto Mar. O nome vem de um programa de uma rádio pirata que António José Correia fazia nos anos 80 com o nome "Tanto Mar, Tanta Riqueza" e que contava histórias relacionadas com o mar. O presidente terminou deixando aos jovens a mensagem: "sintam-se bem connosco e sejam muito felizes".

Já na Fortaleza de Peniche os jovens saíram pelas ruas num peddy-paper que lhes permitiu percorrer alguns dos pontos de interesse do centro histórico da antiga Vila de Peniche, tais como a praça Jacob Rodrigues Pereira, a Capitania, a Ribeira e a própria Fortaleza, bem como conhecer algumas tradições associadas a esta comunidade piscatória. Depois da Fortaleza foi tempo de conhecer outro dos ícones de Peniche, a renda de bilros. Criada em 1987, a Escola Municipal de Renda de Bilros, tem 50 senhoras que diariamente trabalham na renda, o principal objetivo é manter viva esta tradição que com o tempo deixou de ser comum. Para além dos trabalhos diários, a Escola acolhe também cerca de 70 crianças em campos de férias tentando passar a tradição à gerações mais novas.

Embora a tradição se mantenha na técnica, a Escola procura inovar nos materiais e na aplicação dos bilros, usando a renda em sapatos ou joias por exemplo. Depois do jantar, os jovens reuniram-se no auditório da ESTM para uma conversa com surfistas. Paulo Ferreira, presidente do Peniche Surfing Clube, abriu a conversa. "Somos um país de uma costa imensa mas não somos um país de marinheiros", lançou, acrescentando ainda que o trabalho desenvolvido pela organização da Semana Tanto Mar tem como objetivo que os participantes percebam a importância do mar e que possam utilizar estes recursos que Portugal tem. 
José Miguel Nunes, vice-presidente do Peniche Surfing Clube, falou sobre a história do surfing desde os seus primórdios na Polinésia Francesa e Havaí - e dos campeonatos entre chefes de tribos em que se apostava a liberdade da tribo inteira - até ao surf de Malibu e ao um milhão de surfistas no mundo estimados em 2014. Paralelamente, José Miguel Nunes fez também uma breve cronologia da história do surf em Portugal. Guilherme Fonseca tem 18 anos e já foi campeão nacional de todas as categorias júnior em Portugal, começou pelo bodyboard, aos 7 anos, mas rapidamente passou para o surf. Aos 9 anos participou na sua primeira competição. "No início do ano estabeleço objectivos que sejam alcançáveis, estabeleço os campeonatos a que quero ir e giro o orçamento que tenho dos meus patrocinadores", esclarece Guilherme, explicando que é possível conjugar treinos intensos com o estudo através da organização. O surfista concluiu o ensino secundário e candidatou-se à universidade este ano, ao mesmo tempo está a apostar em torneios internacionais pois, como todos os surfistas, diz ele, o seu sonho é competir no campeonato mundial de surf. E assim terminou o terceiro dia da semana, deixando a expectativa para o dia de amanhã, repleto de surf e não só.

