sábado, 13 maio 2017 20:15

Mar também é desporto

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O quarto dia da Semana Tanto Mar foi passado na praia do Baleal. De manhã o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) fez uma demonstração de salvamento e há tarde a Clínica de Surf proporcionou aos jovens uma aula desta modalidade. O final do dia foi passado num ambiente mais relaxado com um workshop de ilustração científica. Nos séculos XVII e XIX a costa portuguesa era conhecida com a costa negra devido ao elevado número de mortes que nela aconteciam. Em 1892 Rainha Dona Amélia fica sensibilizada com esta situação e cria o Real Instituto de Socorros a Náufragos que com a implantação da República passa a ser denominado apenas Instituto de Socorros a Náufragos.

Ricardo Nelva e Demétrio Fidalgo fazem parte do núcleo de formação do ISN e são eles que recebem os jovens e lhes falam sobre a história do Instituto. Antigamente não existiam nadadores salvadores, havia um conjunto de voluntários que levavam as pessoas ao banho e, por isso, se chamavam banheiros. Só em 1956 se realizou o primeiro curso de nadadores salvadores em Portugal. Hoje em dia, o ISN forma todos os anos cerca de mil nadadores salvadores. Para além dos nadadores salvadores, o ISN, que se integra na Marinha, tem também as estações salva-vidas que funcionam 24 horas por dia e usualmente fazem o resgate de pescadores e outras embarcações. Antes de começarem a demonstração do salvamento, Ricardo Nelva e Demétrio Fidalgo realçaram ainda a importância de respeitar as bandeiras e, caso esteja esteja verde e seja possível nadar, fazê-lo sempre em zona com pé, paralelamente à praia e seguindo os conselhos dos nadadores salvadores.

Para além de assistirem ao "salvamento" de um membro do ISN que fingiu afogar-se e necessitar de manobras de suporte básico de vida, os participantes puderam também experimentar a lancha do ISN. Depois da demonstração o resto do dia foi passado entre a areia e o mar sempre a tentar manter o equilíbrio em cima de uma prancha. Equipados a rigor e com uma prancha debaixo do braço os jovens seguiram as indicações dos instrutores da Clínica de Surf para aprenderem a remar deitados na prancha e a subir para esta. Depois do treino em terra firme chegou a altura de testar a habilidade na água. Com muitas quedas à mistura os jovens lá conseguiram deslizar nalgumas ondas.

No final do dia, antes de regressar à ESTM houve visita ao Centro de Alto Rendimento de Surf de Peniche. Inaugurado em 2012 foi o primeiro deste tipo em Portugal, o Centro recebe selecções nacionais e profissionais e oferece-lhes instalações com ginásio, sala de massagens, espaços para reunião e facilidade de entrarem com o fato molhado e a prancha.

À noite, os participantes da Semana Tanto Mar descobriram uma outra área ligada às ciências. Marco Correia, professor de ilustração científica, caracteriza esta área como arte visual ao serviço da ciência, guiada pelo rigor e objetividade. O ilustrador explicou aos jovens as várias vantagens da ilustração científica em relação à fotografia. O ponto principal é a capacidade da ilustração de focar o que interessa e eliminar o que não interessa, assim, enquanto uma fotografia retrata um indivíduo de uma espécie, com as suas marcas e cicatrizes, a ilustração consegue representar um indivíduo tipo dessa espécie. A ilustração consegue também retirar o indivíduo do seu ambiente, ou pintar este a preto e branco, diminuindo assim o ruído da imagem. Outra vantagem é o facto de a ilustração não estar condicionada à profundidade. Enquanto na fotografia o foco depende da lente, a ilustração consegue focar todos os objetos por igual e até representar órgãos internos.

Marco Correia deu ainda exemplos de algumas áreas de aplicação da ilustração científica como a arqueologia, para reconstituição de objetos (dar-lhes forma e cor) ou a medicina, para representação de operações (o ilustrador consegue eliminar todo o sangue e mostrar apenas os componentes que interessam), entre muitas outras. Quanto às técnicas utilizadas são mais de dez e dependem do ser ou objeto que se está a desenhar. A mais utilizada pelos ilustradores é a aguarela e a grafite é normalmente a ferramenta utilizada para o primeiro esboço, mas existem também técnicas tão variadas como pó de carvão ou tinta da china diluída em água e até lápis de cor. Para concluir a sua apresentação, Marco Correia falou brevemente sobre a história da ilustração científica apontando o seu início para o Renascimento mas referindo também as representações Pré-históricas de animais, os seres mitológicos desenhados na Idade Média e asilustrações do Egipto e Roma antigos que já seguiam convenções e apresentavam algumas representações muito fiéis.

Telma Costa é uma antiga aluna da ESTM, do curso de Biologia Marinha e Biotecnologia. Depois de terminar a licenciatura decidiu enveredar pela área da ilustração científica foi assim que, em 2008, começou o livro "Os peixes das Berlengas" agora publicado. O seu processo de criação de uma ilustração envolve pesquisa sobre o animal em toda a bibliografia que conseguir encontrar, fotografar os vários detalhes do peixe e com as diferentes fotos construir o puzzle. No final da sessão e com o auxílio dos ilustradores os jovens puderam experimentar criar ilustrações científicas.

Lido 103 vezes Modificado em segunda, 30 abril 2018 16:57