sábado, 13 maio 2017 20:18

O negócio do mar

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No quinto dia da Semana Tanto Mar foi altura de conhecer a vertente económica das atividades marítimas. Desde uma visita ao porto de Peniche, passando por uma empresa de transformação de peixe e pelo centro de formação For-Mar, houve ainda tempo para um passeio numa lancha da Marinha e para uma conversa com jovens cientistas do CETEMARES. A manhã começou no porto de pesca de Peniche com o engenheiro Ricardo Esteves, diretor do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM). Com 40 armazéns de pesca este é o maior Porto no país em termos de volume de peixe que recebe.

São características particulares deste porto a fábrica de gelo que tem no seu perímetro, que diariamente produz cerca de 50 toneladas de gelo que fornece diretamente às embarcações e camiões, e o lugar cativo no porto, com fornecimento de água e energia, de que as embarcações usufruem. Uma mais valia do porto de pesca de Peniche é também a proximidade que este tem ao edifício CETEMARES em termos de localização o que permite a aplicação de novos projetos de investigação na pesca. Os jovens puderam ainda visitar o núcleo de pesca do cerco, criado em 2000 e com 80 metros de rede. Não foi possível visitar a lota uma vez que não havia peixe a chegar ao porto nessa altura mas Ricardo Esteves explicou como a compra é feita, por leilão. Caminhando pela área do porto foi possível ver alguns pescadores a carregarem caixas de peixe e até a reparar redes. O porto de Peniche tem cerca de 2500 trabalhadores, sendo que grande parte da economia de Peniche está dependente da pesca, o porto de pesca de Peniche constitui o maior empregador na região. Ainda antes de almoço os jovens fardaram-se a rigor para ficar a conhecer a Omnifish, uma empresa de transformação de peixe com seis anos e 35 funcionários. A Omnifish recebe peixe fresco de toda a Europa e África e vende para grandes cadeias de supermercados, para a restauração e para o sector hoteleiro.

Ana Petinga, responsável de qualidade na Omnifish, guiou o grupo pelas instalações explicando as várias fases do processo desde que o peixe chega à empresa. No cais de receção o peixe fresco é descarregado e ou colocado nas câmaras ou enviado para a preparação de encomendas. Nesta segunda zona o peixe é passado por água fria salgada e acondicionado em caixas com uma película de plástico a impedir o direto contacto com o gelo para que não haja alteração da cor.

Na área de transformação do produto, o peixe é limpo e cortado em filetes para ser embalado ou então pode também ser usado para fabrico de espetadas com legumes e frutas.

À tarde os jovens subiram a bordo da lancha de fiscalização rápida NRP Dragão onde puderam navegar ao largo de Peniche e ficar a conhecer parte das atividades de rotina desta lancha patrulha da Marinha. Antes do regresso à ESTM houve ainda tempo para passar pelo polo de Peniche do ForMar, o centro de formação profissional das pescas e do mar, que oferece formação para pessoas que queiram aceder ao sector das pescas, marinha mercante ou até recreacional. Os jovens foram recebidos pelo diretor do polo e por um dos formadores, Nélson, que lhes explicou as características e aplicações de diferentes redes de pesca, como as usadas para a pesca de cerco ou de emalhar e as vantagens e desvantagens do uso de diferentes armadilhas. O grupo pode ainda ver diferentes tipos de âncoras e ficar a saber o tipo de ancoragem que permitem e também descobrir a âncora salva-vidas que não é usada para atracar o barco mas para arrastar pelo fundo do mar e apanhar as redes de pesca, quando estas não podem ser localizadas devido a estragos nas boias de sinalização.

Foi-lhes também explicado os diversos tipos de cabos utilizados nas atividades marítimas, tal como o de aço, de polietileno ou de sisal, e puderam ainda experimentar cerrar cabos grossos de polietileno com um fino cabo de nylon. No final o formador ensinou os jovens a fazerem um nó pinha, usado na ponta dos cabos para os lançar à doca para atracar o barco.

A noite foi dedicada a conhecer alguns dos jovens investigadores da ESTM, o seu percurso e os projetos que têm desenvolvido nomeadamente no CETEMARES. O Luís Alves é licenciado em biotecnologia e tirou o mestrado na ESTM. De momento está a desenvolver o projeto Badass Shark de estudo de tubarões, nomeadamente teste de poluentes através do uso de biomarcadores em partes de órgãos de tintureiras. Bióloga e ecotoxicologista, Carla Silva tirou a licenciatura em Biologia mas especializou-se, em mestrado, em ecotoxicologia, a sua paixão. Como investigadora do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente tem desenvolvido vários estudos de contaminação utilizando algas. O João Chambel desde os 10 anos que sonha em criar peixes ornamentais. Começou com aquários na garagem dos pais onde criava peixes que trocava nas lojas de animais por comida e outros elementos para os seus aquários, depois de uma licenciatura em Biologia Marinha e Biotecnologia na ESTM enveredou pelo ramo das pescas e aquacultura. Mas o bichinho dos peixes ornamentais permaneceu e depois de alguns projetos de estudo de patologias nos peixes ornamentais surgiu a Aqua S Pro, uma startup do IPLeiria de produção de peixes ornamentais. Para além dos peixes também esteve envolvido em projetos envolvendo medusas com fins ornamentais, nomeadamente os aquários Auritaqua. Catarina Correia é licenciada pela ESTM em Biologia Marinha e Biotecnologia e tirou mestrado em Biotecnologia dos Recursos Marinhos. Acabou por ganhar um interesse particular por microalgas e é à volta delas que tem trabalhado como investigadora do MARE. Atualmente desenvolve estudos sobre a manutenção de microalgas sob tensão, a otimização do crescimento de microalgas e a sua utilização na produção de biomassa. Também licenciado em Biologia Marinha e Biotecnologia e com mestrado em Biotecnologia dos Recursos Marinhos, André Horta é um inovador de produtos alimentares. Como investigador do MARE tem desenvolvido novos produtos alimentares com macroalgas tais como o pão de algas, o azeite enriquecido com algas ou o bacalhau com algas. Entre partilha de experiências, dúvidas e conselhos a noite foi passada em conversa. Amanhã os jovens vão-se fazer ao mar com destino para as Berlengas.

Lido 218 vezes Modificado em segunda, 30 abril 2018 16:56