sábado, 13 maio 2017 20:41

Tanto Mar e o Património de Peniche

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O terceiro dia da Academia Tanto Mar foi ligado à história e cultura locais. da renda de Bilros, ao naufrágio do navio San Pedro de Alcântara, passando pela Fortaleza de Peniche. Foi à porta do Museu das Rendas de Bilros de Peniche que Rui Venâncio fez a receção aos cinquenta participantes. “Esta é uma arte importante e que não está morta”, realçou o responsável da Câmara Municipal de Peniche. Hoje em dia, explicou, há crianças que praticam esta arte desde os seis anos, devido “à sua importância para a comunidade”. No presente, as rendas de bilros foram reiventadas, sendo utilizadas em peças de vestuário e de calçado, por exemplo.

Ainda de manhã, Rui Venâncio deixou o convite: “vamos fazer uma viagem no tempo até ao século XVIII”. O roteiro do dia passou depois pelo local do naufrágio do navio de guerra San Pedro de Alcântara, em 1786. Depois de descoberto em 1977, pelo arqueólogo francês Jean-Yves Blot, tornou-se um dos naufrágios mais estudados da costa portuguesa.

Este interesse académico deve-se ao facto de este ser “um dos 10 naufrágios mais importantes da História de Portugal”, explicou Rui Venâcio. A relevância relaciona-se com o número de países envolvidos: Portugal, Espanha, França e até Estados Unidos da América. De resto, o acidente serviu até para “um retorno diplomático entre as coroas portuguesa e espanhola”, acrescentou.

Depois do almoço, Rui Venâncio conduziu os participantes da Academia Tanto Mar até à Fortaleza de Peniche – “o monumento mais importante da região pela sua longa história e até pela dimensão da fortificação”. Neste local, realizou-se depois um peddy-paper que permitiu aos jovens conhecer mais sobre a história deste espaço convertido em prisão, durante o Estado Novo.

O final da tarde trouxe um desafio adicional, promovido pela Marinha Portuguesas: o #22pushupchallenge. Desta forma – e em directo para a RTP – os participantes realizaram 22 flexões: uma homenagem internacional a que a Marinha Portuguesa se associou e que chama atenção para os problemas vividos pelos veteranos de guerra norte-americanos.

No final de jantar, houve ainda tempo para uma sessão sobre empreendedorismo do mar que contou com a presença de dois empresários: João Chambel e André Horta. Relatando os seus percursos de vida e a fundação das respetivas empresas, os oradores procuraram “partilhar a experiência de empreendedor”. João Chambel relatou o seu objetivo de adolescente, entretanto concretizado, de fazer criação de peixes (aquacultura). Depois de se licenciar em Biologia Marinha e Tecnologia, o empresário fundou a empresa Aquaspro, de aquacultura de peixes ornamentais. Contudo, destacou, “um negócio não é um hobby”. Sobre as dificuldades de um empreendedor, João Chambel destacou “a dificuldade em lidar com os problemas que surgem a qualquer hora”. Numa nota final, o empresário deixou o repto: “as vossas ideias valem a pena e devem lutar por elas”.

Já André Horta destacou que, “antes de sermos empreendedores, temos de ter bases”. Por essa razão, explicou, ingressou na licenciatura em Biologia Marinha e Biotecnologia e no mestrado em Biotecnologia de Recursos Marinhos – formação que lhe permitiu desenvolver vários projetos de investigação alimentar, nomeadamente relativos à utilização de algas. Tisanas, gelados, pão e até bacalhau são exemplos de alguns dos projetos de investigação que levaram à fundação, em janeiro deste anjos, da I&DFood – empresa centrada na inovação, higiene e segurança, estudo do produto e consultadoria alimentares. O dia de amanhã será passado na Base Naval do Alfeite, em Almada, onde os cinquenta participantes realizarão diversas atividades promovidas pela Marinha Portuguesa.

Lido 104 vezes Modificado em segunda, 30 abril 2018 16:45