
Ainda de manhã, Rui Venâncio deixou o convite: “vamos fazer uma viagem no tempo até ao século XVIII”. O roteiro do dia passou depois pelo local do naufrágio do navio de guerra San Pedro de Alcântara, em 1786. Depois de descoberto em 1977, pelo arqueólogo francês Jean-Yves Blot, tornou-se um dos naufrágios mais estudados da costa portuguesa.

Este interesse académico deve-se ao facto de este ser “um dos 10 naufrágios mais importantes da História de Portugal”, explicou Rui Venâcio. A relevância relaciona-se com o número de países envolvidos: Portugal, Espanha, França e até Estados Unidos da América. De resto, o acidente serviu até para “um retorno diplomático entre as coroas portuguesa e espanhola”, acrescentou.

Depois do almoço, Rui Venâncio conduziu os participantes da Academia Tanto Mar até à Fortaleza de Peniche – “o monumento mais importante da região pela sua longa história e até pela dimensão da fortificação”. Neste local, realizou-se depois um peddy-paper que permitiu aos jovens conhecer mais sobre a história deste espaço convertido em prisão, durante o Estado Novo.

O final da tarde trouxe um desafio adicional, promovido pela Marinha Portuguesas: o #22pushupchallenge. Desta forma – e em directo para a RTP – os participantes realizaram 22 flexões: uma homenagem internacional a que a Marinha Portuguesa se associou e que chama atenção para os problemas vividos pelos veteranos de guerra norte-americanos.

No final de jantar, houve ainda tempo para uma sessão sobre empreendedorismo do mar que contou com a presença de dois empresários: João Chambel e André Horta. Relatando os seus percursos de vida e a fundação das respetivas empresas, os oradores procuraram “partilhar a experiência de empreendedor”. João Chambel relatou o seu objetivo de adolescente, entretanto concretizado, de fazer criação de peixes (aquacultura). Depois de se licenciar em Biologia Marinha e Tecnologia, o empresário fundou a empresa Aquaspro, de aquacultura de peixes ornamentais. Contudo, destacou, “um negócio não é um hobby”. Sobre as dificuldades de um empreendedor, João Chambel destacou “a dificuldade em lidar com os problemas que surgem a qualquer hora”. Numa nota final, o empresário deixou o repto: “as vossas ideias valem a pena e devem lutar por elas”.

Já André Horta destacou que, “antes de sermos empreendedores, temos de ter bases”. Por essa razão, explicou, ingressou na licenciatura em Biologia Marinha e Biotecnologia e no mestrado em Biotecnologia de Recursos Marinhos – formação que lhe permitiu desenvolver vários projetos de investigação alimentar, nomeadamente relativos à utilização de algas. Tisanas, gelados, pão e até bacalhau são exemplos de alguns dos projetos de investigação que levaram à fundação, em janeiro deste anjos, da I&DFood – empresa centrada na inovação, higiene e segurança, estudo do produto e consultadoria alimentares. O dia de amanhã será passado na Base Naval do Alfeite, em Almada, onde os cinquenta participantes realizarão diversas atividades promovidas pela Marinha Portuguesa.
