sábado, 13 maio 2017 20:46

Tanto Mar, tanta riqueza

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Do porto à lota, passando pela transformação, o quinto dia da Academia Tanto Mar foi dedicado às mais-valias económicas que se retiram do oceano. No Porto de Peniche, o Diretor Ricardo Esteves vai apontando o mar que envolve Peniche. “As características da península porporcionam abrigos contra temporais”, explica. As especificidades da região ajudam a explicar a importância deste porto para o País: “este é um dos maiores portos a nível do valor pescado”. A relevância do Porto de Peniche para a região explica-se num número: no total, são cerca de 2500 trabalhadores empregados – dado que o torna numa estrtutura “muito importante para a cidade”, realça Ricardo Esteves.

Durante a visita, o ambiente do porto é calmo. Um facto que é explicado pelo diretor. “À segunda-feira, as embarcações só vão para o mar para às 14h – às 18h já cá está peixe fresco”. O pescado que chega ao Porto de Peniche é apanhado com recurso a três técnicas: arrasto, tradicional e de cerco. De acordo com Ricardo Esteves esta visita ao porto serviu para “complementar o conhecimento” dos jovens participantes. De forma geral, acrescenta, a população toma contacto com o pescado através das grandes superfícies. Seguindo a rota do pescado, o caminho fez-se depois pela empresa Omnifish, de forma a acompanhar o processo de transformação. Um dos sócios da empresa, Luís Clemente, destacou as especificidades de lidar com este tipo de produto. “O peixe é um alimento altamente perecível pelo que a rotação tem de ser muito rápida”, explicou.

Sendo relativamente pequeno, o mercado português de consumidores de peixe caracteriza-se pelos hábitos tradicionais. Contudo, destaca Luís Clemente, “os hábitos estão a mudar”. Os produtos já transformados – como as espetadas ou os hamburgueres de peixe – tem visto a sua popularidade e respetiva procura aumentar. Formar para o mar Depois do almoço, os participantes da Academia Tanto Mar fizeram uma passagem pelo centro FOR-MAR – um centro de formação “para tudo o que é ligado à área do mar”, explicou José Gusmão aos visitantes. Pesca, transporte e segurança são alguns dos sectores de atividade incluídos na oferta formativa. A segurança e higiene no trabalho foi, precisamente, o tema que se seguiu, graças à intervenção de Pedro Ferreira, formador deste centro. No sector do mar, relembrou, “a higiene e segurança no trabalo tem sido um pouco esquecida”. Porém, como recordou, “a segurança começa em terra”.

Em 2014, 1000 pessoas foram envolvidas em acidentes de trabalho no sector das pescas. Um número que justifica uma mudança de mentalidades, para Pedro Ferreira. “Tem-se trabalhado muito nesse sentido”, garantiu. De seguida, os cinquenta jovens puderam visitar as instalações da DocaPesca, passando pela lota e pelo cais de descarga. Esta empresa define como objetivo “a exploração de portos de pesca e lotas, a prestação de serviços na primeira venda de pescado”. Mais que "sol e mar" O dia de atividades terminou com uma sessão sobre turismo do mar. Num dia reservado à economia deste recurso, recordou o Vice-Presidente do Politécnico de Leiria, Sérgio Leandro, “não podemos deixar de falar de turismo”. Desta forma, a sessão da noite incluiu dois “exemplos concretos da região oeste”. Para além de Peniche e da Berlenga, acrescentou Sérgio Leandro, existem outros locais importantes como a Lagoa de Óbidos – local que foi objeto da apresentação de Mário de Carvalho. Recordando a importância desta lagoa para a região, o docente do IPL destacou o seu papel de “maternidade do pescado” que depois surge na zona da costa.

O projeto apresentado por Mário de Carvalho diz respeito ao aproveitamento do potencial turístico da Lagoa de Óbidos. Para tal, reforçou, será necessário ultrapassar o paradigma “do sol e mar”. As pegadas de dinossaruro existentes nas proximidades e a etnografia local foram apresentadas como soluções para um aproveitamento transversal deste recurso. O outro projeto apresentado esta noite – o “Eco Based Beaches” – prevê a divulgação de informação sobre as praias da região, com recurso a uma aplicação para telemóveis (já existente) e painéis indicativos colocados no local. Tudo, realçou João Paulo Jorge, de forma a “usufruir na plenitude da praia”. Fazendo um resumo das potencialidades e desafios do aproveitamento turísticos dos recursos naturais, o também docente do IPL relembrou que 90% dos turistas ocupam o litoral português e que, cumulativamente, 70% vive na faixa costeira – uma área complexa em termos ambientais. Foi Sérgio Leandro que tomou a palavra no final da sessão, recordando a importância da presença destes jovens na Academia Tanto Mar. “Queremos criar uma nova geração de jovens que se interessem pelo mar, para que os vossos filhos e netos possam potenciar na plenitude aquele que é o recurso nacional mais importante”, concluiu.

Lido 89 vezes Modificado em segunda, 30 abril 2018 16:30